Epitáfio
Joanyr de Oliveira
Os casulos do silêncio
recolhem meu rosto,
meu canto e meu nome.
Entre arcanjos e estrelas,
minha essência navega
o esplendor dos milênios
Doce é o sabor do infinito
O fogo
Viriato Gaspar
Repara como o sol, todos os dias,
vem dissolver em luz a noite escura
do mesmo modo, a tocha da agonia
há de queimar as fibras da loucura,
até que reste apenas a magia
da febre incendiária da ternura
Incógnita
Benedito Pereira da Costa
Detesta e excomunga o rico,
Mas o pobre sem piedade;
Perplexo, pensando fico:
Por quem terá amizade?
Búzio
Fernando Mendes Vianna
Pastando nas colinas e ravinas
do oceano,
seu sussuro
Se me entranha.
E mujo. Em murmúrio
- mínimo boi
submarino
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Canção para o silêncio
Maria Félix Fontele
Todas as manhãs
quando acordava
ele compunha uma fresta
de luz para o silêncio
A fresta era instrumento
O silêncio, o ouvinte
Ficavam assim
enternecidos
O homem
A fresta
O silêncio
À noite,
o silêncio ensurdecia
Não havia fresta
O homem dormia
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Odor de fêmea
José Hélder de Souza
Olinda,
O mar cheira e sabe a interfemínio.
Na recendência feminal,
a mar devia se chamar o mar,
para melhor se amar este ar,
esta praia de sabor
e feminino odor
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