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Almoço com o escritor traz um poeta alquimista
Fernando Mendes Viana fala de sua obra e toma chopp
Bar e Café Belas Artes (SDS), localizado ao lado do Teatro Dulcina de Moraes, tem uma filosofia administrativa: "Dar vida inteligente ao Conic", afirma o seu criador, o livreiro Ivan da Silva, ex-presidente da Câmara do Livro do Centro-Oeste. "Dentro dessa proposta," acrescenta, "criamos o projeto almoço Com o Escritor, que acontece todo sábado, a partir das l2h", O convidado de hoje é o poeta Fernando Mendes Vianna. Fernando tem 60 anos, dez livros publicados de poesia, escreve há 40 e vive em Brasília desde 1961. Ganhou dois prêmios literários: em 1987, com a antologia Marinheiro do Tempo - Prêmio Instituto Nacional do Livro, extinto pelo governo Collor - e em 1972, com a obra inédita O Silfo-Hipogrifo. Tem poemas traduzidos para o espanhol, foi um dos fundadores do SEDF - Sindicato dos Escritores no DF e costuma fazer recitais de poesia pelos points da cidade. Sacudindo mortos-vivos - O cardápio de hoje escolhido por Fernando é cozido a brasileira. Regado a chopp, naturalmente, pois o Café não vende cerveja, Infelizmente. "O projeto Almoço com o Escritor," diz o poeta Amargedon, organizador, "é valorizar os escritores locais, com a abertura de um espaço para exposição e discussão de sua obra. "Fernando se diz lisonjeado pela homenagem. "Eu gosto de sacudir os mortos-vivos, como dizia Henry Miller", lembra o poeta. Para ele, "o poeta é alquimista: transmuta o sangue em vinho. Bebe o hidromel e o fel no Graal". O autor Graal de A Chave e a Pedra tem na base de sua formação estética, a obra de poetas como Garcia Lorca; Whittman; Pound; Emily Dickinson, etc, como ele mesmo confessa. "Creio, em resumo, neles todos". Tem o poeta uma misão? - se pergunta Femando, acrescentando. "Qual a condição que fundamenta o ser poeta e o devenir desse ser como vida poética como sendo verdadeira a sua criação?" Conversa Informal - Muitas das indagações de cunho filosófico do autor de Proclamação do Barro serão feitas no almoço de hoje, onde Fernando falará de sua obra e recitará poemas espalhados por seus dez livros. "Eu escrevo há 35 + anos. Em 1986, selecionei poemas de todos os meus livros, em Marinheiro do Tempo, que reúne produções de 1958 a 1986." A poesia de Fernando Mendes Vianna também está editada em 17 antologias, diversas revistas nacionais e internacionais. Em 1979, ele foi lançado no Peru pelo Centro de Estudos Brasileiros. Nada mal para um poeta que diz: "Tenho a rosa-dos-ventos tatuada no peito, sou irmão de todos os rumos/no fim de qualquer mar encontro sempre cais". (José Menezes de Morais). Correio Brasiliense |
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