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Antônio Carlos Osório almoça no Belas Artes O escritor vai debater sua obra com o público Almoço com o Escritor é uma promoção do Café Belas Artes e da livraria Presença (SDS Conic), que acontece todos os sábados, às l2h30. No programa, o cardápio do dia escolhido pelo autor homenageado e apresentação de grupos musicais, além da leitura de uma obra inédita - ou trechos - do escritor em questão. Hoje, o escolhido é o poeta e advogado Antônio Carlos Osório, presidente da Academia Brasiliense de Letras e um dos sócios-fundadores e também ex-presidente do SEDF. A exemplo de Viginiano, foram lidos poemas inéditos – de uma obra a ser publicada - de Osório. A seguir, publicamos com exclusividade trechos do romance Lisábria de jesus ou o Estigma de Cam, tragédia em muitos atos, do mineiro Alan Viggiano. Corre, em um certo país muito extenso, colocado no Hemisfério Sul e chamado por alguns de Lisábria, uma lenda segundo o qual o manuscrito originário do presente livro foi elaborado por William S. Geminiano, escritor cuja existência é vagamente entressentida e entrevista, numa espécie de cortina prumosa, meio mítica, ligeiramente sensual e envolvida quase por inteiro em mistério. Sabe-se ao certo, quando muito, que ele recebeu seu último nome por ser do signo de Gêmeos; nasceu na cidade de Stratford, que por mero acaso fora construída à montante do rio Avon, e seu pai era um açougueiro. Filho de malteiro e agiota, ele próprio cerealeiro e somítico, "com dez fangar" de trigo açambarcadas durante os motins da fome", e até hoje, homossexual, caso se queira dar curso à boataria espalhada pelas personagens de, james joyce, se tivesse efetivamente existido, William S. Geminiano poderia ter aposto, no frontispício deste livro, a usual e truística advertência: "Trata-se de lima obra de ficção; qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas será mera coincidência". Mas, reza ainda a lenda, quem ali viveu foi outro escriba de menor importância, nascido na mesma data e cidade, com o mesmo nome, filho de idênticos pais e que elaborou os trabalhos a ele atribuídos: 27 peças de teatro, dois longos poemas, muitos fragmentos e anotações interessantes, e este livro. O indignado poeta levou, ao que parece, uma vida rocambolesca, quando jovem. Dizem que participou de guerras, andou pelo oriente duelou, quase perdeu a visão: teve de nadar com um braço só, para salvar os manuscritos de um seu poema. Mais de uma vez sofreu no exílio em virtude de intrigas palacianas. A dor estimula e aprimora a criatividade..Com relação a William Geminiano não existe verdade mais comprovada nos períodos em que foi obrigado a estar longe da pátria, dos amigos, das bem-amadas, produziu os mais significativos e sentidos poemas. A acreditar-se em tudo que se diz a respeito dele, trata-se, acima e além do mais, de um usurpador e plagiário, à semelhança do japonês Makaiko Mohno e do carcamano (aí, no sentido também etmológico isto é de enfiar a mão) Marcelo Pizza, pessoas igualmente ficcionais; esses pilantras, o primeiro como editor, o segundo como autor, realizaram um lindo álbum sobre o Grade Sertão Verdeas, de João Guimarães Rosa, utilizando os textos e os mapas de um livro publicado em 1974 pelo apontado William S, Geminano, ao qual se intitulou "Geografias do Lagarto de Fogo"; quem pagou a conta foi uma firma de construção de estradas, a qual devia Ter ficado puta da Vida com o uso de seu sagrado nome em semelhante empulhação, mas, ao contrário, nem notou a sangria, saiu, como se diz, no cocô dos bebês da família. O fato tornou-se (Escândalo literário, noticiado pelo jornal do Paisano, na primeira página do Caderno B, em 19 de março de 1983. Mas os avellanedas nem se abalaram. Daí a sabedoria do anexim. "malandro não estrela". Há dúvidas, também, se o referido álbum teria existido perduram suspeitas, ainda, de que nem houve tal firma de construção de estradas, pois o álbum foi comercializado com a folha de rosto arrancada, expediente adotado à última hora para livrar o rabo dos empresários (acontecimento amplamente divulgado pelo jornalista).
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